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Momentinhos
Mario Quintana
80 anos de poesia
Editora Globo
Páginas 186
Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amar, não digas, que morro
De surpresa... de encanto... de medo...
Minha vida não foi um romance
Minha vida passou por passar
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.
Minha vida não foi um romance...
Pobre vida... passou sem enredo...
Glória a ti que me enches de vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso.. de um gesto.. um olhar...
80 anos de poesia
Editora Globo
Páginas 186
Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amar, não digas, que morro
De surpresa... de encanto... de medo...
Minha vida não foi um romance
Minha vida passou por passar
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.
Minha vida não foi um romance...
Pobre vida... passou sem enredo...
Glória a ti que me enches de vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso.. de um gesto.. um olhar...
Mario Quintana .
Momentinhos
Mario Quintana
80 anos de poesia
Editora Globo
Páginas 186
As mãos de meu pai
As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor da terra
- como são belas as tuas mãos
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram da nobre cólera dos justos...
Porque há nas tuas mãos, meu velho pai, essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah! como fizeste arder, fulgir, com o milagre das tuas mãos!
E é ainda a vida que transfigura as tuas mãos nodosas...
essa chama de vida - que transcende a própria vida
... e que os Anjos, um dia, chamarão de alma.
Mario Quintana
Momentinhos
Vinicius de Moraes
Antologia Poética
Editora Companhia de Bolso
Páginas 319
Sonata do Amor Perdido
Onde estão os teus olhos - onde estão? Oh milagre de amor que escorres dos meus olhos!
Na água iluminada dos rios da lua eu os vi descendo e passando e fugindo
Iam como as estrelas da manhã. Vem, eu quero os teus olhos, meu amor!
A vida... sombras que vão e sombras que vêm vindo
O tempo... sombras de perto e sombras na distância - vem, o tempo quer a vida
Onde ocultar minha dor se os teus olhos estão dormindo?
Onde está tua face? Eu a senti pousada sobre a aurora
Teu brando cortinado ao vento leve era como asas fremindo
Teu sopro tênue era como um sopro de silêncio - oh, a tua face iluminada!
Em mim, mãos se amargurando, olhos no céu olhando, ouvidos no ar ouvindo
Na minha face o orvalho da madrugada atroz, na minha boca o orvalho do teu nome!
Vem... os velhos lírios estão fanando, os lírios novos estão florindo...
Antologia Poética
Editora Companhia de Bolso
Páginas 319
Sonata do Amor Perdido
Lamento nº1
Onde estão os teus olhos - onde estão? Oh milagre de amor que escorres dos meus olhos!
Na água iluminada dos rios da lua eu os vi descendo e passando e fugindo
Iam como as estrelas da manhã. Vem, eu quero os teus olhos, meu amor!
A vida... sombras que vão e sombras que vêm vindo
O tempo... sombras de perto e sombras na distância - vem, o tempo quer a vida
Onde ocultar minha dor se os teus olhos estão dormindo?
Onde está tua face? Eu a senti pousada sobre a aurora
Teu brando cortinado ao vento leve era como asas fremindo
Teu sopro tênue era como um sopro de silêncio - oh, a tua face iluminada!
Em mim, mãos se amargurando, olhos no céu olhando, ouvidos no ar ouvindo
Na minha face o orvalho da madrugada atroz, na minha boca o orvalho do teu nome!
Vem... os velhos lírios estão fanando, os lírios novos estão florindo...
Momentinhos
Vinicius de Moraes
Antologia Poética
Editora Companhia de Bolso
Páginas 319
Soneto de véspera
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?
Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?
Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou - fria de vida
Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...
Momentinhos
Mario Quintana
80 anos de poesia
Editora Globo
Páginas 186
Bilhete
Se tu me amas , ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhosDeixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem que ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...
Mario Quintana
Momentinhos
Mario Quintana
80 anos de poesia
Editora Globo
Páginas 186
DA ETERNA PROCURA
Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada...
E terminamos desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada...
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